Adormece todas as tardes para fugir do calor e outros demônios. A tarde tem umas horas de silêncio que a assustam. Por alguma razão, parece que o tempo passa um pouco mais devagar nessa parte do dia, ela não sabe se por causa do calor ou do silêncio.
Então, quando se aproximam esses minutos mornos, antes que comece a pensar demais, que as idéias a assustem e a atropelem e a deixem muito inquieta, ela larga as tarefas por fazer, caminha com a habitual lentidão para o quarto, encosta a porta e se permite deitar um pouco.
É sempre rápido que o sono chega e a liberta das más sensações das tardes – ou a aprisiona outra vez no mesmo quarto.
Dez ou vinte minutos depois, quando desperta, antes de retomar seus mecânicos afazeres incompletos, repousa as mãos endurecidas no parapeito da janela e por um instante fica esperando o passado chegar.